quinta-feira, 14 de abril de 2011

Carta de amor pro Céu I

Querida Vó,

         Eu acho engraçado em como a gente pode ser transportado a lugares inacessíveis através dos nossos sentimentos. Podemos ir e vir, de um lado pro outro, vasculhar cada cantinho da nossa vida que jamais será esquecido se, naquele instante, houve amor. E é desse amor que queria falar. Já fazem quase 3 anos. E não teve um só dia em que, pelo menos por um minuto, eu não pensasse em você. É involuntário. Basta sentir um cheiro, ouvir um ruído ou ver alguma coisa em especial, que me lembro de você. Muita coisa me lembra de você. Durante esses anos, eu venho aprendido a não sofrer quando essa lembrança vem à tona. Aprendi a tirar esse peso fúnebre que envolvia essa saudade e transformá-la num símbolo de amor. E, pra mim, você será sempre lembrada assim, como realmente foi, amor. Eu acho delicioso pensar no dia em que iremos nos encontrar de novo. Parei de chorar porque você se foi e passei a pensar que isso aqui, a vida, é uma coisa tão pequena e tão passageira diante da grande e gloriosa vida que nos espera depois daqui. Às vezes não é fácil, eu sinto saudade sim. Vontade de te abraçar, de estar com você. Às vezes sinto saudade até de mim. Saudade de quem eu era quando estava ao seu lado, sem nenhuma vergonha dos meus sentimentos, de ser quem eu sou. É preciso coragem pra ser quem se é, sem enfeites, sem máscaras. Você me dava liberdade pra ser quem eu sou e me aceitava assim. Eu também aceito você. De todo meu coração. As coisas mudaram um pouquinho desde que você foi morar na sua “nova casa”. E algumas coisas continuam do mesmo jeito, com a mesma veia. Acredito que você era um alicerce pra nossa família. Antes era “nós” agora ficou muito mais “eu” do que eu gostaria. Mas não quero me lamentar. Muito pelo contrário. Quero celebrar o amor vivido. Com toda intensidade com que foi vivido, com toda verdade com que foi sentido. Quero poder dizer que esse amor continua vivo e forte. E sempre estará. Eu vou sempre me lembrar da minha vó Elza querida, que eu tanto amo e que, pra mim, passou a ser símbolo de amor. De amor compartilhado. De confiança pra poder ser o que se é sem reservas. E olha, eu tenho aprendido muito com as pegadas que você deixou. Tenho esperança de um dia poder ser para alguém o que você é pra mim. Porque eu também quero contagiar quem quer que seja com esse amor, que eu aprendi tanto com você. Eu guardo você no meu coração. Guardo porque eu sei que você está ali, sempre deixando esse amor fluir. Esse amor que brota fácil, que nunca mais vai embora. Gosto de imaginar que você ainda pode me ouvir. E às vezes conto pra você como foi meu dia, me exponho por inteiro, mesmo sem pronunciar uma palavra. Eu sei que você não pode me ouvir e que também não pode ver. Mas sei também que enquanto esteve aqui, pôde me amar e eu sou muito grato por também ter sido alvo desse amor. Ele foi correspondido. E ainda é.
Até o dia em que formos morar juntos de novo, aí, na sua nova casa, o céu.

Com amor, 
do seu neto que te ama tanto tanto.

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