segunda-feira, 21 de maio de 2012

Amor não correspondido

Dedicado à Lila que não acredita que seus olhos são - como os de Maysa - dois oceanos não pacíficos.


Passei anos tentando descobrir o porquê do tal "amor não correspondido". Durante esses anos, elaborei várias teorias. Não cheguei a nenhuma conclusão. Mas hoje, pensando sobre o assunto, a resposta me veio claramente: o amor não correspondido é fruto do amor não correspondido. Calma, vou explicar. O "amor não correspondido" é, pelo menos na maioria dos casos, fruto do amor próprio não correspondido. Vou explicar mais: a premissa para se conseguir consolidar qualquer sentimento com alguém, é o amor próprio. A gente se ama o bastante pra conseguir encontrar uma pessoa que, na nossa cabeça e coração, é a certa. Mas a gente não se ama o bastante pra achar que esse sentimento possa ser recíproco. Nós sabotamos nossas possibilidades de conquista! Quando digo "nós", estou me referindo àquelas pessoas que, como eu, são vítimas desse amor triste e infrutífero. Sempre que eu me apaixonei, fui  bobo, tive vergonha de mim, me declarei, me arrependi e sumi por não querer demonstrar fraqueza. Sempre encontrei trezentos mil defeitos em mim mesmo pra pensar que a tal pessoa - objeto de desejo - não se interessasse de volta. E é aí que estraguei tudo! Reparando bem, os caras que mais fazem sucesso com as garotas não precisam ser, necessariamente, os mais bonitos, mas sim, os mais seguros. A mesma coisa acontece com as meninas. A gente tem que se tornar uma pessoa "apaixonável", se assumir. Eu estou aqui pra me assumir. Assumir que eu não sou igual a ninguém. Que eu sou manteiga derretida, que posso ter um gosto musical duvidoso na opinião de muitas pessoas. Assumo que, mesmo que digam ser "coisa de mulherzinha", eu gosto de "filmes água-com-açúcar". Me assumo por inteiro e me garanto! Não me importo mais com o que vão dizer. A gente tem que ter muito peito pra se assumir completamente! Então, esse sou eu: Alysson, cristão, estudante, dramático, chorão, brincalhão, crítico, irônico, cheio de dúvidas e medos, sincero demais e, como diz a minha mãe, "topetudo". Eu não vou mais me esconder dentro de mim e ficar filtrando o que eu acho que as pessoas vão gostar. Precisamos parar de nos sabotar e acreditar que nós somos pessoas desejáveis. Porque nós somos. Pra alguma pessoa, em algum lugar do mundo, nós somos. Vamos acreditar nisso e abrir as portas, da casa, da mente, do coração...  Se eu pudesse dar um conselho sobre "amor não correspondido", diria: Se assuma! Deixem ver os seus versos, solte os seus cachos e pare de esconder seus olhos atrás de lágrimas. Seja você em todos os detalhes.
Eu sou eu e sou assim. Se não gostarem, tem quem goste, muito obrigado.




* "Os olhos de Maysa eram dois oceanos não pacíficos" - frase de Manuel Bandeira.

Um comentário:

  1. O.O Eu confesso que ri do seu post.
    Não de modo zombador, mas é que eu fiz um parecido, dois dias depois do seu lá no meu blog.

    A diferença entre nós dois é que eu não acredito que vá encontrar o meu "grande amor", apesar de me assumir como sou.
    Sou romântica demais, companheira demais, sincera demais. Infelizmente, nos tempos atuais, essas são "qualidades" que levam um relacionamento à ruína. Irônico, né?

    Ah, Maysa e sua voz... De vez em quando me pego cantando "Ahhh o amor... Quando é demais, ao findar, leva a paz..."
    Hahaha, acabei de me dar conta que só chego aqui dizendo que tava cantando isso e aquilo.

    Um beijo pra a Lila.

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Obrigado pela visita e comentário. Que possamos redescobrir sempre, e sempre juntos, muitas coisas boas!