domingo, 26 de outubro de 2014

TÁ CHOVENDO AMOR NO SEGUNDO TURNO

Hoje, dia 26/10/2014, foi o segundo turno das eleições presidenciais no Brasil. E, aqui em BH, caiu um pé d'água o dia inteiro... Acordei e - burrice danada - resolvi ir votar depois do almoço. Almocei e nada da chuva estiar. Quando eram 14h30 decidi que iria sair de qualquer jeito. Sem guarda-chuva ou qualquer proteção, fui. E, como a lei Murphy sempre se aplica à minha vida, eis que a chuva engrossa... já tava na merda chuva mesmo, que molhasse. Corri até o ponto entre as marquises e não-marquises que mais pareciam chuveiros totalmente abertos e jorrando água de cachoeira: geladíssima! Meia hora no ponto de ônibus. Até que o bendito veio e veio vazio. Vou ter onde sentar, pensei. Meu livro-de-ônibus na bolsa, tudo ok. Passo a roleta e percebo um casal ao fundo, outro na frente, eu e mais duas pessoas aleatórias. O casal ao fundo chamava atenção porque eram muito bonitos. Todos os dois. Daqueles casais que a gente odeia porque são bonitos, ricos, inteligentes, legais e reais. Tinham cara de simpáticos. Ela tinha cabelos negros, com uma franja graciosa à la Brondi - que eu pensava que só ficava bom nela, me enganei - e, nos lábios, a cor bordô. Charmosíssima! Ele, alto, nem magro e nem gordo, sorrisão... segurava, e muito bem, uma barba castanha meio anos 70. Conversaram a viagem toda, riam das bobagens que diziam, estavam de mãos dadas. O ônibus chegou perto de onde vou descer, fico prestando atenção no caminho porque sou PhD em perder pontos. E ônibus. Mas isso é outra história. Fiquei de pé e, nesse momento, descobri um protótipo do himalaia rolando dentro das minhas alpargatas, que já estavam encharcadas. Que maravilha, não vou tirar as alpargatas e sacudir na frente desses dois. Seria humilhação demais. Quando levantei minha cabeça, vi minha imagem triste  projetada no vidro da janela do ônibus. Todo molhado, uma gota imensa escorrendo vagarosamente pelo meu nariz alemão, a camisa marrom com um botão aberto na altura do umbigo. Senhor! Como foi que eu deixei minha barriga chegar a esse ponto? E essa corcunda? Os cabelos raspados por um erro que não convém explicar agora, a barba falha... Me senti o Zacarias ao lado de Brad e Angelina. Queria apenas que as portas daquele ônibus se abrissem pra eu saltar de lá pra nunca mais. Chegou, graças a Deus, chegou. Andei até o lugar onde voto. Seiscentos e quarenta e três casais na rua. Não sei se eram as eleições ou a chuva - agora preguiçosa - que caía... mas abriram as portas do romantismo e expulsaram de lá todos os casais nesse domingo. Cheguei, sem fila, ainda bem. Agora vou tirar essa pedra do sapato, literalmente. Tcharam! Banheiros fechados. Mais uma vez, não vou tirar a alpargata dos pés e sacudi-la em público. Vou para o ponto de ônibus sacudindo o pé, como se estivesse brincando de "labirinto da bolinha" com a pedra no sapato. Mais um ônibus, mais casais. Casais por todo lado. No caminho de volta pra casa, mais chuva. Cheguei, finalmente, cheguei. Finalmente vou tirar esse paralelepípedo do pé (que deve estar sangrando). Tirei as alpargatas e sacudi, sacudi. Realmente tinha uma pedra. Só que do tamanho de um cílio. Ri. Como que essa desgraçada pedrinha desse tamanico conseguiu incomodar tanto? Tiro a roupa toda molhada correndo e vou para o banho. Olho para o espelho e reparo bem. Realmente haviam muitas imperfeiçoes só que, como no tamanho da pedra do sapato, eu errei na proporção.


... reparando melhor, até que eu fiquei bem com os cabelos raspados!

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