quarta-feira, 25 de março de 2015

SAMBINHA TRISTE

No peito, falta o ar
da janela, não vejo o mar
a vida pede amar

os lençóis, falta dobrar
a boca, quer beijar
os sinos, têm de tocar
os olhos, a espiar
essas pernas a cruzar

os dedos, pra estalar
a vizinha, pra fofocar
a comida, pra esquentar
pilha de roupa pra passar

a muda, pra plantar
o jardim, pra capinar
as flores, pra regar
e a terra pra estercar

os dentes, pra escovar
os cabelos, pra pentear
os cadarços, pra amarrar
e o paletó pra abotoar

o texto, pra revisar
e os passarinhos a cantar,
tantas palavras cruzadas pra completar


enquanto minha menina não vem...
(depois vai ser só amar, amar, amar!)


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