sábado, 28 de maio de 2011

Como criança


Quem dera eu se pudesse voltar a ser criança. Com aquele sorriso fácil, com aquela alegria intensa e completa por coisas tão simples. Quem dera eu se pudesse voltar a ser criança e falar sempre a verdade, e amar de verdade, e gostar de verdade. Quando criança, o maior problema que se pode ter é cair e machucar o joelho. Criança não machuca o coração. Não guarda mágoas. Quem dera eu se pudesse voltar a ser criança pra poder valorizar aquilo que nós, geralmente, esquecemos: as pessoas. Muito mais do que responsabilidade, maturidade, nós vamos ganhando frieza à medida que vamos crescendo. Queria voltar a ser criança, quem sabe assim, aprenderia, finalmente, como é ser adulto. Se eu pudesse voltar no tempo, voltaria exatamente naquele instante gostoso em que a maior preocupação que se pode ter é qual a próxima brincadeira. Aquele tempo em que a imundície humana era menos perceptível. Aquele tempo em que tanta gente ainda não tinha ido embora. Aquele tempo em que a gente acreditava que quem a gente ama dura para sempre.
Quem dera se eu pudesse voltar a ser criança e carregar essa criança pra vida toda. Porque criança é que vive de verdade.


- Texto dedicado à minha amiga Rafaella. (Quando vi suas fotos, senti necessidade disso, espero que goste)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Nada

Queria que não sobrasse nada. Nada mesmo. Não sobrasse nada de mim quando eu errei. Queria que não sobrasse nada de mim quando riram da minha cara. Menos ainda quando dei motivo para o riso. Queria que não sobrasse absolutamente nada de um passado cheio de tristezas. Queria que nenhuma sombra ou cicatriz pudesse ter sobrevivido ao poder implacável do tempo - que consegue apagar tantas coisas, mas não outras tantas, por mais que tente. Queria que não tivesse sobrado nada pra eu poder me fazer de novo. Começar do zero, sem nenhuma interrupção de algum resquício sentimento ruim que vez por outra vem me assombrar. Vem cochichar nos meus ouvidos um mundo de infelicidade que o tempo não conseguiu varrer, talvez porque eu mesmo tenha escondido a vassoura. Queria que não tivesse sobrado nada pra eu poder tecer, finalmente, o meu final feliz sem depender das circunstâncias tantas que me rodeiam e que, de uma forma ou de outra, me fizeram chegar até aqui. Agora não tem mais tempo, agora eu já sou que sou. Infelizmente sobrou e sobrou muito de mim pra que eu pudesse estar escrevendo agora. 

Tem gente querendo fugir do mundo. Eu queria poder fugir de mim. Só pra experimentar, só pra saber como é.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Às vezes sinto coisas que eu não sei dizer o quê. Sinto um vazio tão grande dentro de mim, como se estivesse sempre a procura de. Estou cansado de procurar, queria mesmo era ser achado. O problema é que eu acho que já me perdi de mim mesmo a muito tempo. E o tempo não volta mais. E os muros não param de crescer.

sexta-feira, 6 de maio de 2011