quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Sobre o Natal e suas luzes (ou não)

Esqueceram de ligar o pisca-pisca da árvore a semana inteira
o pai brigou com a mãe na segunda, na terça, na quarta e na quinta também
(continuam brigando!)
a mãe brigou com o filho, o filho com o irmão
Se machucaram e se magoaram repetidas vezes
- infinitas! -
o ano inteiro...
Mas o Natal chegou,
aí a gente coloca as dores todas numa gaveta e abre ano que vem
essa semana é de festa, inventa um sorriso!
Eu me lembro que sempre gostei muito das festividades de final de ano
sempre na expectativa, ansioso e feliz
Naquela época, fazíamos amigo oculto de dez reais
porque tinha menos dinheiro e mais gente,
menos dinheiro e mais ternura
Afinal de contas, o que é mais importante?

Quem tem dinheiro, manda!
Quem tem dinheiro, diz o que, aonde e porque!

Eu nunca soube fingir felicidade
e tenho tido cada vez menos vontade até de me esforçar
Me desculpem, mas, eu não vou fingir um sorriso
segurar o choro já está difícil demais!

(eu quero sumir daqui!)


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

MEU ERRO FAVORITO



Me perdoe a inabilidade
de traduzir sentimentos nesse monte de palavras bobas
se, às vezes, numa frase completamente sem nexo,
expresso meus sentimentos mais nobres
Me perdoe, talvez, o português descompromissado
ou, ainda, por não conseguir dizer tudo o que deveria
Juro que tento!
Essa é uma das tentativas (frustradas) de dizer
que mesmo enxergando todas as nossas diferenças,
sabendo que você não está nem um pouco a fim,
eu penso em você,
em nós...
Faço jogo, faço tipo
tentando te enganar
e tentando me enganar também
e nunca consigo!
Não sou bom em jogos, você sabe
sempre fui café-com-leite no amor
Me perdoe por não ser aquilo que você procura,
mas, saiba que, de todos os meus erros,
(acredite, foram muitos!)

 você é o meu erro favorito

terça-feira, 18 de novembro de 2014

FEELS LIKE HOME

Entre a minha enorme lista de manias estranhas (sim, tenho muitas!), está essa que vou confessar agora: sempre que vou a uma loja Americanas ou Leitura, dou um jeito de ir até a seção dos CD's e escondo os que eu gosto. Sim, eu pego todos os que eu gosto/quero-pra-mim e coloco pra trás, junto com os encalhados de 1900-quando-eu-era-criança. O motivo? Um dia irei voltar lá e comprar TO-DOS os que eu escondi. Eu sei direitinho quais são. Um deles, que sempre escondo, é o álbum "Feels Like Home", da Norah Jones. Quando foi lançado, em 2004, eu lembro de ter querido, mas, estávamos na época das vacas magrinhas, magrinhas... em que requeijão era luxo e carne assada era só no Natal, portanto, dar mais de trinta reais em um CD era uma coisa meio que fora de questão. E eu sempre quis muitos CD's. Originais, claro! Nunca gostei de falsificados e os originais vinham com as letras das músicas no encarte, o que me pouparia o tempo de ter que ir escutando, pausando e anotando a letra de cada uma delas. Saudades da época em que Vagalume (a grafia correta é "vaga-lume", não?) era só o inseto da bundinha brilhante mesmo. E acesso ao computador era só no escritório do meu pai. Sim, crianças, houve um tempo não tão distante assim (ok, lá se vão mais de dez anos...) em que muita gente não tinha acesso à internet em casa. Enfim, dia desses, navegando nesse mundo paralelo virtual, eis que descubro, no youtube, o álbum inteirinho pra ouvir. Foi o deleite da semana. Do mês. Talvez do ano (tá competindo com a barra de chocolate delicinha de 130gr por R$ 3 no EPA). Mas, ouvir Norah Jones num período de tensão como o TCC é quase uma tortura. Tô passando os dias comendo (e muito, viu?! tô de parabéns!), fazendo trabalho e ouvindo Norah Jones e chorando, relembrando todos os amores e desamores dessa minha vida... Todas as músicas são gostosas de ouvir, mas, já vou avisando: dá uma vontade danada de amar. Hahahahahaha! Sim, meus queridos, vontade imensa de achar o amor da nossa vida e ficar dançando coladinho. Essas músicas mexem com alguma coisa adormecida dentro da gente. Acendem faíscas! Um mix de melancolia com vontade de amor. Isso é tão eu! O nome do álbum fez todo sentido agora... "feels like home", entenderam, né?! Eu realmente não teria maturidade pra essas músicas em 2004!


p.s.: Ainda quero o CD e vou continuar escondendo até comprar. Não gosto de ter coisas no campo virtual... Gosto de livros e fotos de papel e músicas no CD. (E de ouvir a mesma música um milhão de vezes pausando pra anotar a letra)


Vou dividir esse achado com vocês (espero que tenham quem amar ao som de):






sexta-feira, 7 de novembro de 2014

UMA PROMESSA

Na bagunça do meu coração eu me perco
perco as chaves, perco a esperança
perco o dia, perco a hora, perco o trem.
Eu estou perdido nessas emoções todas!
Queria voltar a ter seis anos
e acreditar quando minha mãe dizia que eu era lindo.
Era tudo tão mais simples
quando a opinião da mãe da gente bastava...
A gente vai crescendo junto com as complicações
cada vez mais profundas e intransponíveis,
as pessoas cada vez mais implacáveis e duras.
“Você tem que crescer!” – eles dizem
Eu só nunca tinha parado pra pensar
que pra ser grande
a gente tem que ir deixando de sentir,
de se importar
aos poucos,
pra sempre!

Hoje eu estou no chão,
mas eu vou enfrentar a vida como um leão,

isso é uma promessa.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

MAPA

Ah!
Se eu tivesse estudado mais cartografia
conseguiria, talvez,
desenhar meridianos, trópicos, círculos polares
delimitar os caminhos, ilhas, arquipélagos, rios e mares
acusar todos os pontos nodais
identificar todas as direções
que me levam até você

Ah!
Se pudéssemos estar juntos agora
poderia, quem sabe,
percorrer teu corpo sinuoso
– como se de curvas fosse feito meu desejo –
e chegar, enfim,
aonde sempre quis estar:
do lado de dentro




domingo, 26 de outubro de 2014

TÁ CHOVENDO AMOR NO SEGUNDO TURNO

Hoje, dia 26/10/2014, foi o segundo turno das eleições presidenciais no Brasil. E, aqui em BH, caiu um pé d'água o dia inteiro... Acordei e - burrice danada - resolvi ir votar depois do almoço. Almocei e nada da chuva estiar. Quando eram 14h30 decidi que iria sair de qualquer jeito. Sem guarda-chuva ou qualquer proteção, fui. E, como a lei Murphy sempre se aplica à minha vida, eis que a chuva engrossa... já tava na merda chuva mesmo, que molhasse. Corri até o ponto entre as marquises e não-marquises que mais pareciam chuveiros totalmente abertos e jorrando água de cachoeira: geladíssima! Meia hora no ponto de ônibus. Até que o bendito veio e veio vazio. Vou ter onde sentar, pensei. Meu livro-de-ônibus na bolsa, tudo ok. Passo a roleta e percebo um casal ao fundo, outro na frente, eu e mais duas pessoas aleatórias. O casal ao fundo chamava atenção porque eram muito bonitos. Todos os dois. Daqueles casais que a gente odeia porque são bonitos, ricos, inteligentes, legais e reais. Tinham cara de simpáticos. Ela tinha cabelos negros, com uma franja graciosa à la Brondi - que eu pensava que só ficava bom nela, me enganei - e, nos lábios, a cor bordô. Charmosíssima! Ele, alto, nem magro e nem gordo, sorrisão... segurava, e muito bem, uma barba castanha meio anos 70. Conversaram a viagem toda, riam das bobagens que diziam, estavam de mãos dadas. O ônibus chegou perto de onde vou descer, fico prestando atenção no caminho porque sou PhD em perder pontos. E ônibus. Mas isso é outra história. Fiquei de pé e, nesse momento, descobri um protótipo do himalaia rolando dentro das minhas alpargatas, que já estavam encharcadas. Que maravilha, não vou tirar as alpargatas e sacudir na frente desses dois. Seria humilhação demais. Quando levantei minha cabeça, vi minha imagem triste  projetada no vidro da janela do ônibus. Todo molhado, uma gota imensa escorrendo vagarosamente pelo meu nariz alemão, a camisa marrom com um botão aberto na altura do umbigo. Senhor! Como foi que eu deixei minha barriga chegar a esse ponto? E essa corcunda? Os cabelos raspados por um erro que não convém explicar agora, a barba falha... Me senti o Zacarias ao lado de Brad e Angelina. Queria apenas que as portas daquele ônibus se abrissem pra eu saltar de lá pra nunca mais. Chegou, graças a Deus, chegou. Andei até o lugar onde voto. Seiscentos e quarenta e três casais na rua. Não sei se eram as eleições ou a chuva - agora preguiçosa - que caía... mas abriram as portas do romantismo e expulsaram de lá todos os casais nesse domingo. Cheguei, sem fila, ainda bem. Agora vou tirar essa pedra do sapato, literalmente. Tcharam! Banheiros fechados. Mais uma vez, não vou tirar a alpargata dos pés e sacudi-la em público. Vou para o ponto de ônibus sacudindo o pé, como se estivesse brincando de "labirinto da bolinha" com a pedra no sapato. Mais um ônibus, mais casais. Casais por todo lado. No caminho de volta pra casa, mais chuva. Cheguei, finalmente, cheguei. Finalmente vou tirar esse paralelepípedo do pé (que deve estar sangrando). Tirei as alpargatas e sacudi, sacudi. Realmente tinha uma pedra. Só que do tamanho de um cílio. Ri. Como que essa desgraçada pedrinha desse tamanico conseguiu incomodar tanto? Tiro a roupa toda molhada correndo e vou para o banho. Olho para o espelho e reparo bem. Realmente haviam muitas imperfeiçoes só que, como no tamanho da pedra do sapato, eu errei na proporção.


... reparando melhor, até que eu fiquei bem com os cabelos raspados!

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

GOSTO DE BOCA

Dia desses, conversando com um amigo meu, ele disse gostar de beijo com gosto de boca. Curioso, perguntei o que seria o tal "gosto de boca". Questionei se poderia ser, talvez, um gostinho mentolado, de bala ou listerine. E ele disse que não, que não gosta de beijo asséptico, que gostava do gosto da boca mesmo. Tuti-frutti, nem pensar! Nem morango, nem chocolate ou vodca. Outra pessoa do grupo implicou dizendo que preferiria sempre uma boca com um quê de menta a uma fétida. Rimos e concordamos todos. Hoje, pensando sobre isso, entendi, finalmente, o "gosto de boca" que meu amigo tanto gosta. Todos nós temos cheiro, forma e sabor. Em cada pedacinho. Cada um tem o seu cheiro, o seu gosto, as suas formas. O gosto da boca é um dos sabores mais íntimos que uma pessoa pode ter. E só pode ser experimentado por quem tem a sensibilidade de compartilhar um beijo com os quatro sentidos. O beijo é quase um festival gastronômico. O beijo é gourmet. Beijar é isso e mais que isso: é o espetáculo completo! O beijo tem simetria, quando as bocas se encontram e os rostos ficam colados e se separam formando os narizes. Forma e contra-forma. O beijo tem som, tem ritmo, tem ginga. O beijo tem coreografia, ora as mãos estão nas costas, ora estão na nuca e tem quem desça mais um pouco. O beijo é um encontro, não só de línguas, mas, também, de dois num só gesto que diz - com a boca e sem palavras - um desejo. O beijo é uma troca, não só de saliva, mas de carinho, de sentimento compartilhado, de vontade... Quando o beijo não é mecânico, mas recheado de bem-querer, ele nunca é o mesmo. Então, me convenci que, realmente, cada um beija com o seu gosto, com sua dança, no seu compasso. E o espetáculo é único, íntimo e pessoal. Nós é que, às vezes, não sabemos aproveitar o presente por completo.


terça-feira, 14 de outubro de 2014

UM ANO DE SILÊNCIO

Há um ano, resolvi dar fim a esse espaço. Mas, confesso que - apegado à tudo o que foi produzido, experimentado e desembrulhado nesse endereço - vez ou outra, voltava aqui para reviver coisas. Dizem que quem vive de passado é museu e eu discordo completamente. Nós somos um amontoado de passados. Nossas experiências estão todinhas em nós, marcadas, feito tatuagem na tez. E eu adoro recolorir as tatuagens bonitas que desenhei em minha vida. O nome desse espaço diz muito sobre isso. Eu me re-descubro todos os dias. Essa é uma graça, que recebemos de graça, na vida: o poder cíclico que algumas coisas boas têm. E até as ruins. Aprendemos muito com elas!

Bom, dito isso, estou aqui para re-inaugurar esse espaço. Mas ele não será o mesmo. Heráclito foi um cara muito esperto quando disse que não podíamos entrar num mesmo rio duas vezes... E não podemos mesmo! As águas já não são as mesmas e nem eu. Durante esse período sabático aqui no blog, eu não deixei de produzir. Escrever é quase que um exercício diário. Vivo poetizando o cotidiano. Essa é a minha maior e melhor fuga. 

Não tenho, rigorosamente, um estilo a ser seguido. Por isso, vou me dar maior liberdade de postar crônicas, textos, frases, poesias... qualquer rascunho de sentimento que possa tomar forma, virar palavra. O que eu desejo mesmo é que hajam trocas. Se houver umazinha que seja, já vai ter valido a pena. 

Um abraço,
Alysson