Na ordem das coisas mais sutis dos meus sentimentos
Na candeia da sabedoria que ilumina meus versos quase-sempre tortos
Na alquimia que as palavras tem e trazem a cada grito de amor que gritam em rima:
Eu des-rimo! Me recuso! Contra-verso!
Tenho medo de fincar minhas toiceras na gleba infértil da pseudo-intelectualidade
Nessa sabedoria rasa, que chamo de burra
Essa gente que se iguala, que é nula
Tenho pavor de mediocridade até nas mais pequeninas coisas
Não dá e não quero fazer o corte vertical pra separar sentimento de racionalidade
Pra mim, só funcionam agarradinhos, fazendo amor
Como sujeito e predicado, namorada e namorado
Que se encaixam numa (pre)posição
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domingo, 1 de novembro de 2015
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
O TEMPO DAS COISAS (QUE NÃO SÃO COISAS)
Eu sempre acreditei que a felicidade iria chegar quando eu estivesse inteiramente (corpo, alma, cabeça e coração) alinhado ao tempo das coisas que não são coisas. Quando eu estivesse docilmente subordinado à espera deliciosa desse presente que a vida vem, há muito, embrulhando com suas fitas de cetim mais bonitas pra me entregar. Esse desenho quase expressionista, aquarela romântica, tons de azul em degradê... Quiçá talvez quem sabe um poema cheio de rimas-pobres, desses bem melodramáticos que - por um motivo ou outro - dão uma vontade danada na gente de chorar. É nesse exausto e intenso instante onde eu sempre acreditei que morasse a felicidade. Quando eu estivesse completamente imerso na certeza incerta e duvidosa de que o amor está à minha espera, que vai bater na minha janela, que vamos nos esbarrar na esquina da minha rua ou na venda em que vou sempre comprar pó de café.
A Vida me encarou um dia, fitou fundo os meus olhos e revelou esta triste verdade: que o amor vem só para alguns, vez ou outra, devagar, como quem não quer chegar. Colheita tão esperada que custa a vingar e dar seu fruto. Chuva que se encontra, num beijo, com a terra seca. Água redesenhando as linhas de aridez no solo. Emaranhado de fios, todos cruzados, de um belo tecido em mãos de paciente tecelã. Que o amor é chá-de-cadeira, quem sabe a vida inteira, que é gozo pra quem sabe e quer a ele ser fiel. Que o amor é concebido, fruto de uma paixão que não acontece todo dia, mas que pode chegar a qualquer dia, numa semana vazia. Que o amor, como a vida, é uma eterna sala de espera.
E eu, na certeza de quem sou e com a consciência tranquila de ser plenamente isso que sou, olhei bem nos olhos da Vida, com riso de quem quer chorar, com choro de quem sorri e respondi, serenamente:
- Eu tô acostumado a perder. E mais acostumado ainda a esperar...
A Vida me encarou um dia, fitou fundo os meus olhos e revelou esta triste verdade: que o amor vem só para alguns, vez ou outra, devagar, como quem não quer chegar. Colheita tão esperada que custa a vingar e dar seu fruto. Chuva que se encontra, num beijo, com a terra seca. Água redesenhando as linhas de aridez no solo. Emaranhado de fios, todos cruzados, de um belo tecido em mãos de paciente tecelã. Que o amor é chá-de-cadeira, quem sabe a vida inteira, que é gozo pra quem sabe e quer a ele ser fiel. Que o amor é concebido, fruto de uma paixão que não acontece todo dia, mas que pode chegar a qualquer dia, numa semana vazia. Que o amor, como a vida, é uma eterna sala de espera.
E eu, na certeza de quem sou e com a consciência tranquila de ser plenamente isso que sou, olhei bem nos olhos da Vida, com riso de quem quer chorar, com choro de quem sorri e respondi, serenamente:
- Eu tô acostumado a perder. E mais acostumado ainda a esperar...
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
UMA PROMESSA
Na bagunça do meu coração eu me perco
perco as chaves, perco a esperança
perco o dia, perco a hora, perco o trem.
Eu estou perdido nessas emoções todas!
Queria voltar a ter seis anos
e acreditar quando minha mãe dizia que eu era lindo.
Era tudo tão mais simples
quando a opinião da mãe da gente bastava...
A gente vai crescendo junto com as complicações
cada vez mais profundas e intransponíveis,
as pessoas cada vez mais implacáveis e duras.
“Você tem que crescer!” – eles dizem
Eu só nunca tinha parado pra pensar
que pra ser grande
a gente tem que ir deixando de sentir,
de se importar
aos poucos,
pra sempre!
Hoje eu estou no chão,
mas eu vou enfrentar a vida como um leão,
isso é uma promessa.
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