quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Amor em forma de gente

*dedicado à minha querida vozinha que estaria completando 75 anos de amor hoje

O tempo passa e o amor não passa
não quero que passe, não quero que suma
O amor que eu sinto é maior que a dor da perda
Porque, afinal de contas, eu nunca perdi ninguém
Porque, quando amo, esse alguém sempre vive
Aqui dentro, do meu coração.


 Minha bisavó nasceu em 1900 e de lá pra cá já se passaram 112 anos! E essas vidas que parecem estar tão entrelaçadas - minha bisavó e eu - nunca chegaram a se conhecer. Mas eu sou muito grato a ela porque mesmo sem me conhecer, ela me deixou um presente maravilhoso: a minha avó. A minha avó foi uma dessas delícias que Deus poe na vida da gente, que perfuma todos os cantos da alma. Vovó que ensina, que tem paciência  amor e carinho em todos os detalhes do cotidiano. Eu lembro muito bem de escutar ela cantando, falando "a vovó é sua amiga, viu?", de me chamar pra comer alguma coisa gostosa que fazia, de querer me fazer feliz. É isso, ela se preocupava em me fazer feliz! Como ela gostava de fazer um cafuné na gente... de "acarinhar", de fazer a diferença. Sempre achei a palavra "vó, vovó" linda e, depois que ela morreu, acho ainda mais. Sempre que vejo alguma criança chamando pela sua vovó, eu sinto uma saudade de falar essa palavra... Às vezes falo escondido. Sozinho, no banheiro ou antes de dormir. Só pra matar a saudade. Escapole um "vó" aqui e acolá. Às vezes ensaio um diálogo. Às vezes, choro, emocionado, sonhando no dia em que vamos nos reencontrar no céu. Quantas saudades! Mas, de consciência tranquila e coração aquecido, só tenho coisas boas pra lembrar! EU NUNCA BRIGUEI COM A MINHA VÓ. Nunquinha da silva! Só ri, brinquei, me emocionei, fui amado e amei, como amei, como amo essa mulher!!! 
Eu só conheci uma avó, a minha avó. A outra faleceu antes que eu nascesse. Mas a que eu tive valeu por muitas. Porque ela era toda feita de amor e me passava esse amor. Era minha amiga, minha companheira, meu escudo. Eu não fui o neto preferido dela, ela e meu primo (que foi basicamente criado por ela) tinham uma ligação muito maior, muito mais materna. Mas ela nunca deixou de me dar muito amor, de ser uma pessoa presente, que faz a diferença, toda a diferença na minha vida e das minhas irmãs. E é assim que eu eu sempre me lembro dela: dizendo que era minha amiga, de ir assistir televisão com ela quase todas as tardes (como essas tardes são preciosas pra mim!) e, é claro, da preocupação que ela tinha em me fazer feliz! 
Herdei de vovó uma enorme paixão pelo Natal e todas as suas luzes, que hoje em dia são muito mais tristes e apagadas pela sua ausência e, também, estou exercitando em minha vida essa qualidade maravilhosa que é preocupar-se com a felicidade do outro. Vozinha viveu mais de 70 anos aqui na Terra se preocupando em fazer as pessoas felizes. E nós ainda vamos ser. Juntos, cantando as músicas mais lindas, lá no céu.


domingo, 4 de novembro de 2012

Conta gotas

De
repente,
enquanto
escrevia
essa
carta,
caiu
uma
lágrima
na
folha
de
papel.
Uma única lágrima que não aguentava mais se segurar. E foi. Escorregou por todo meu rosto e caiu sobre o papel. Muitas vezes, a alma da gente não sabe os porquês nem os "porquens", mas chora. Talvez de alegria, saudade ou solidão... Quem sabe? Eu não! Eu não sei muito da vida. Eu sinto, sinto muito, muito mais que deveria! Mais do que aguento, mais do que aguentam.
Quando? Não sei. O sentimento não tem hora marcada. Mas ele vêm dilaceradoramente quando quer. E eu não preciso contar as lágrimas pra medi-lo. Às vezes eu choro baixinho. Às vezes, por dentro. Sem externar nada, sem lágrimas, sem nariz vermelho. É choro do mesmo jeito. Ou mais dolorido. Ou menos, não sei. Eu não sei muito da vida. Eu sinto, sinto muito. De gota em gota, poderia formar um oceano. O meu oceano. Quem sabe seria bom... quem sabe? Ninguém sabe nada dessa vida! Com todos os diplomas, com toda sabedoria... Que sabedoria? Quem é que disse que isso tudo é verdade? E se for vã filosofia? E se estivermos vivendo a mesma mentira que viveram anteriormente, iludidos, crendo que vencemos aquilo que é invencível? Elis cantou que "ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais", Cazuza que via o futuro repetindo o passado... "Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia". Shakespeare já cantava essa pedra que agora atiro! Nós nos apegamos tanto às nossas verdades absolutas que esquecemos de checar se são mesmo verdades. O que pode ser mudado? O que já foi? O que não é mais? O que é mais importante? QUEM é mais importante? Até onde vai a comodidade, o medo, a frustração?
Por que você chora à noite, escondido, com o rosto no travesseiro? Chora sem saber direito. E tem vontade de gritar. Nunca grita. Porque se gritar, vão escutar e vão querer saber "por quê". E eu não sei direito. Está tudo muito misturado, muito junto, muito dependente. E eu vou vivendo assim, contando os dias, esperando a vida, esperando alguém, esperando ser alguém, esperando ter coragem de viver... de gota em gota!