Eu entro com os pés descalços no jardim vasto e florido da sua alma. Eu não temo os espinhos que aparecem de vez em quando. Mais vale o frescor da grama verde entre os dedos. Mais vale apreciar a paisagem com todos os sentidos que posso. Eu respiro você. Eu danço a música do seu corpo, no compasso de cada batida do seu coração. Quando a gente se esbarra, por acaso, num lugar qualquer, meu peito respira aliviado, qual uma criancinha perdida que encontra o abraço de sua mãe. Mas nosso amor não é materno: ele tem sexo, ele tem fogo, ele tem pele e beijos e corpo. Quando me perguntam como vejo meu futuro, ele é sempre assim: nós dois juntinhos, num ninho, com tudo isso que somos quando estamos juntos, nada mais.
domingo, 29 de novembro de 2015
domingo, 1 de novembro de 2015
DESENCAIXE
Na ordem das coisas mais sutis dos meus sentimentos
Na candeia da sabedoria que ilumina meus versos quase-sempre tortos
Na alquimia que as palavras tem e trazem a cada grito de amor que gritam em rima:
Eu des-rimo! Me recuso! Contra-verso!
Tenho medo de fincar minhas toiceras na gleba infértil da pseudo-intelectualidade
Nessa sabedoria rasa, que chamo de burra
Essa gente que se iguala, que é nula
Tenho pavor de mediocridade até nas mais pequeninas coisas
Não dá e não quero fazer o corte vertical pra separar sentimento de racionalidade
Pra mim, só funcionam agarradinhos, fazendo amor
Como sujeito e predicado, namorada e namorado
Que se encaixam numa (pre)posição
Na candeia da sabedoria que ilumina meus versos quase-sempre tortos
Na alquimia que as palavras tem e trazem a cada grito de amor que gritam em rima:
Eu des-rimo! Me recuso! Contra-verso!
Tenho medo de fincar minhas toiceras na gleba infértil da pseudo-intelectualidade
Nessa sabedoria rasa, que chamo de burra
Essa gente que se iguala, que é nula
Tenho pavor de mediocridade até nas mais pequeninas coisas
Não dá e não quero fazer o corte vertical pra separar sentimento de racionalidade
Pra mim, só funcionam agarradinhos, fazendo amor
Como sujeito e predicado, namorada e namorado
Que se encaixam numa (pre)posição
quinta-feira, 7 de maio de 2015
13 ANOS
quero te levar ao cinema numa quarta-feira à tarde
numa sessão vazia e dar beijo com gosto de m&m's
vamos fingir que a gente tá na sexta série
sair por aí de mãos dadas
com toda pureza de quem não vê malícia
ir pro clube, não fazer a lição
depois eu te levo em casa, outro beijo no portão
vou pregar seu retrato na porta do meu guarda-roupas
escrever seu nome com meu sobrenome pra ver se combina
espalhar pros outros meninos que você é minha namorada
ligar no sábado pro telefone da sua casa
se sua mãe atende, eu faço voz de menina
se seu pai atende, eu desligo
quero te amar como se você fosse a primeira
mesmo que a gente já esteja pelos vinte e tantos anos,
como se o primeiro amor fosse aquele que dá certo
terça-feira, 31 de março de 2015
DISSESTE. FIZESTE. SAÍSTE.
Disseste um "também", em resposta ao meu "eu
te amo"
enquanto tomávamos café da manhã
Você quase não comeu nada, alegou indisposição
subiu as escadas depressa, mas com delicadeza
e eu fiquei parado, fingindo engolir o café
(já não
conseguia engolir mais nada),
só ouvindo o choro dos móveis:
abre-fecha, abre-fecha, abre-fecha
Fizeste as tuas malas devagarinho,
não esqueceu um grampo sequer
mas na penteadeira, ficou o cheiro da minha mulher
naquele espelho, o teu rosto
e nos lençóis, o teu corpo
como se tua presença independesse de você estar ali,
como se a tua alma estivesse presa a mim
naquele quarto, onde tantas vezes fomos nós
e as nossas almas se tornaram uma
Saíste sem dizer nada,
arrastando aquele tanto de malas
sem rancor ou raiva,
mas com aquela mesma doçura de sempre
e eu, como espectador dessa cena triste
emudeci!
palavras já não eram necessárias,
nós dois sabíamos,
quando o elevador chegou ao nosso andar,
que você nunca mais voltaria...
Agora, nesse apartamento vazio,
me atrevo a escrever poesia
pensando em nós,
lembrando daquela tua pele macia
e tão quente, tão sua, tão minha
...melhor parar por aqui, já chegou a melancolia
e essa estória já tá virando uma rima pobre.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
O TEMPO DAS COISAS (QUE NÃO SÃO COISAS)
Eu sempre acreditei que a felicidade iria chegar quando eu estivesse inteiramente (corpo, alma, cabeça e coração) alinhado ao tempo das coisas que não são coisas. Quando eu estivesse docilmente subordinado à espera deliciosa desse presente que a vida vem, há muito, embrulhando com suas fitas de cetim mais bonitas pra me entregar. Esse desenho quase expressionista, aquarela romântica, tons de azul em degradê... Quiçá talvez quem sabe um poema cheio de rimas-pobres, desses bem melodramáticos que - por um motivo ou outro - dão uma vontade danada na gente de chorar. É nesse exausto e intenso instante onde eu sempre acreditei que morasse a felicidade. Quando eu estivesse completamente imerso na certeza incerta e duvidosa de que o amor está à minha espera, que vai bater na minha janela, que vamos nos esbarrar na esquina da minha rua ou na venda em que vou sempre comprar pó de café.
A Vida me encarou um dia, fitou fundo os meus olhos e revelou esta triste verdade: que o amor vem só para alguns, vez ou outra, devagar, como quem não quer chegar. Colheita tão esperada que custa a vingar e dar seu fruto. Chuva que se encontra, num beijo, com a terra seca. Água redesenhando as linhas de aridez no solo. Emaranhado de fios, todos cruzados, de um belo tecido em mãos de paciente tecelã. Que o amor é chá-de-cadeira, quem sabe a vida inteira, que é gozo pra quem sabe e quer a ele ser fiel. Que o amor é concebido, fruto de uma paixão que não acontece todo dia, mas que pode chegar a qualquer dia, numa semana vazia. Que o amor, como a vida, é uma eterna sala de espera.
E eu, na certeza de quem sou e com a consciência tranquila de ser plenamente isso que sou, olhei bem nos olhos da Vida, com riso de quem quer chorar, com choro de quem sorri e respondi, serenamente:
- Eu tô acostumado a perder. E mais acostumado ainda a esperar...
A Vida me encarou um dia, fitou fundo os meus olhos e revelou esta triste verdade: que o amor vem só para alguns, vez ou outra, devagar, como quem não quer chegar. Colheita tão esperada que custa a vingar e dar seu fruto. Chuva que se encontra, num beijo, com a terra seca. Água redesenhando as linhas de aridez no solo. Emaranhado de fios, todos cruzados, de um belo tecido em mãos de paciente tecelã. Que o amor é chá-de-cadeira, quem sabe a vida inteira, que é gozo pra quem sabe e quer a ele ser fiel. Que o amor é concebido, fruto de uma paixão que não acontece todo dia, mas que pode chegar a qualquer dia, numa semana vazia. Que o amor, como a vida, é uma eterna sala de espera.
E eu, na certeza de quem sou e com a consciência tranquila de ser plenamente isso que sou, olhei bem nos olhos da Vida, com riso de quem quer chorar, com choro de quem sorri e respondi, serenamente:
- Eu tô acostumado a perder. E mais acostumado ainda a esperar...
sábado, 3 de janeiro de 2015
"EUMAR"
está quente e, mesmo que não estivesse,
minhas emoções transformam qualquer neblina em calor de quarenta graus
minha alma fervendo, ebulindo a cabeça
foi quando a pele - pegando fogo - se encontrou com a água gelada de Copacabana
e nus, nos tornamos um só elemento, um só corpo, uma só paz
enquanto ouvia um canto gregoriano - triste! - ao fundo
a água gelada parecia preencher todos os meus poros
os pulmões ainda relaxados, involuntariamente, se enchiam, devagarinho, de ar
permaneci estático, como um objeto perdido naquelas águas salgadas
oferenda que Iemanjá "injeitou"
oferenda que Iemanjá "injeitou"
e uma paz imensa invadiu meus pensamentos
aquela paz que dizem que só sentimos quando temos certeza que a morte está chegando
me senti eternizado numa pintura de Monet, ali, naquele lugar, naquela sentença
eternizado nas pinceladas do meu pintor favorito, que jeito bonito de partir...
mesmo ensaiando minha partida, o corpo começou a subir
e eu emergi do mergulho, da quase-morte, do possível fim
e as narinas puxaram o ar com urgência, enchendo os meus pulmões
o corpo reagiu, uma vontade feroz de viver
- eu quero viver! -
eu e o mar fizemos amor aquele dia, de forma intensa, visceral
e, desde então, nunca mais fui eu inteiro
o pronome, assim, certinho, primeira pessoa do singular...
sou metade eu, metade mar: eumar
[vezenquando deságuo, vezenquando é preciso empoçar]
mesmo ensaiando minha partida, o corpo começou a subir
e eu emergi do mergulho, da quase-morte, do possível fim
e as narinas puxaram o ar com urgência, enchendo os meus pulmões
o corpo reagiu, uma vontade feroz de viver
- eu quero viver! -
eu e o mar fizemos amor aquele dia, de forma intensa, visceral
e, desde então, nunca mais fui eu inteiro
o pronome, assim, certinho, primeira pessoa do singular...
sou metade eu, metade mar: eumar
[vezenquando deságuo, vezenquando é preciso empoçar]
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
MEU ERRO FAVORITO
Me perdoe a inabilidade
de traduzir sentimentos nesse monte de palavras bobas
se, às vezes, numa frase completamente sem nexo,
expresso meus sentimentos mais nobres
Me perdoe, talvez, o português descompromissado
ou, ainda, por não conseguir dizer tudo o que deveria
Juro que tento!
Essa é uma das tentativas (frustradas) de dizer
que mesmo enxergando todas as nossas diferenças,
sabendo que você não está nem um pouco a fim,
eu penso em você,
em nós...
Faço jogo, faço tipo
tentando te enganar
e tentando me enganar também
e nunca consigo!
Não sou bom em jogos, você sabe
sempre fui café-com-leite no amor
Me perdoe por não ser aquilo que você procura,
mas, saiba que, de todos os meus erros,
(acredite, foram muitos!)
você é o meu erro
favorito
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
UMA PROMESSA
Na bagunça do meu coração eu me perco
perco as chaves, perco a esperança
perco o dia, perco a hora, perco o trem.
Eu estou perdido nessas emoções todas!
Queria voltar a ter seis anos
e acreditar quando minha mãe dizia que eu era lindo.
Era tudo tão mais simples
quando a opinião da mãe da gente bastava...
A gente vai crescendo junto com as complicações
cada vez mais profundas e intransponíveis,
as pessoas cada vez mais implacáveis e duras.
“Você tem que crescer!” – eles dizem
Eu só nunca tinha parado pra pensar
que pra ser grande
a gente tem que ir deixando de sentir,
de se importar
aos poucos,
pra sempre!
Hoje eu estou no chão,
mas eu vou enfrentar a vida como um leão,
isso é uma promessa.
terça-feira, 28 de outubro de 2014
MAPA
Ah!
Se eu tivesse estudado mais cartografia
conseguiria, talvez,
desenhar meridianos, trópicos, círculos polares
delimitar os caminhos, ilhas, arquipélagos, rios e mares
acusar todos os pontos nodais
identificar todas as direções
que me levam até você
Ah!
Se pudéssemos estar juntos agora
poderia, quem sabe,
percorrer teu corpo sinuoso
– como se de curvas fosse feito meu desejo –
e chegar, enfim,
aonde sempre quis estar:
do lado de dentro
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
GOSTO DE BOCA
Dia desses, conversando com um amigo meu, ele disse gostar de beijo com gosto de boca. Curioso, perguntei o que seria o tal "gosto de boca". Questionei se poderia ser, talvez, um gostinho mentolado, de bala ou listerine. E ele disse que não, que não gosta de beijo asséptico, que gostava do gosto da boca mesmo. Tuti-frutti, nem pensar! Nem morango, nem chocolate ou vodca. Outra pessoa do grupo implicou dizendo que preferiria sempre uma boca com um quê de menta a uma fétida. Rimos e concordamos todos. Hoje, pensando sobre isso, entendi, finalmente, o "gosto de boca" que meu amigo tanto gosta. Todos nós temos cheiro, forma e sabor. Em cada pedacinho. Cada um tem o seu cheiro, o seu gosto, as suas formas. O gosto da boca é um dos sabores mais íntimos que uma pessoa pode ter. E só pode ser experimentado por quem tem a sensibilidade de compartilhar um beijo com os quatro sentidos. O beijo é quase um festival gastronômico. O beijo é gourmet. Beijar é isso e mais que isso: é o espetáculo completo! O beijo tem simetria, quando as bocas se encontram e os rostos ficam colados e se separam formando os narizes. Forma e contra-forma. O beijo tem som, tem ritmo, tem ginga. O beijo tem coreografia, ora as mãos estão nas costas, ora estão na nuca e tem quem desça mais um pouco. O beijo é um encontro, não só de línguas, mas, também, de dois num só gesto que diz - com a boca e sem palavras - um desejo. O beijo é uma troca, não só de saliva, mas de carinho, de sentimento compartilhado, de vontade... Quando o beijo não é mecânico, mas recheado de bem-querer, ele nunca é o mesmo. Então, me convenci que, realmente, cada um beija com o seu gosto, com sua dança, no seu compasso. E o espetáculo é único, íntimo e pessoal. Nós é que, às vezes, não sabemos aproveitar o presente por completo.
terça-feira, 14 de outubro de 2014
UM ANO DE SILÊNCIO
Há um ano, resolvi dar fim a esse espaço. Mas, confesso que - apegado à tudo o que foi produzido, experimentado e desembrulhado nesse endereço - vez ou outra, voltava aqui para reviver coisas. Dizem que quem vive de passado é museu e eu discordo completamente. Nós somos um amontoado de passados. Nossas experiências estão todinhas em nós, marcadas, feito tatuagem na tez. E eu adoro recolorir as tatuagens bonitas que desenhei em minha vida. O nome desse espaço diz muito sobre isso. Eu me re-descubro todos os dias. Essa é uma graça, que recebemos de graça, na vida: o poder cíclico que algumas coisas boas têm. E até as ruins. Aprendemos muito com elas!
Bom, dito isso, estou aqui para re-inaugurar esse espaço. Mas ele não será o mesmo. Heráclito foi um cara muito esperto quando disse que não podíamos entrar num mesmo rio duas vezes... E não podemos mesmo! As águas já não são as mesmas e nem eu. Durante esse período sabático aqui no blog, eu não deixei de produzir. Escrever é quase que um exercício diário. Vivo poetizando o cotidiano. Essa é a minha maior e melhor fuga.
Não tenho, rigorosamente, um estilo a ser seguido. Por isso, vou me dar maior liberdade de postar crônicas, textos, frases, poesias... qualquer rascunho de sentimento que possa tomar forma, virar palavra. O que eu desejo mesmo é que hajam trocas. Se houver umazinha que seja, já vai ter valido a pena.
Um abraço,
Alysson
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Relato póstumo de quem já disse adeus
Voltar atrás... Quantas vezes já foi preciso?!
Hoje, decidi dar o adeus definitivo. Não só a esse espaço, mas a uma vida que vivi até agora e só me trouxe infelicidade. Hoje eu enterro, de uma vez por todas, a pessoa que fui e inauguro um novo eu. Morre o menino e nasce o homem. Decidi ser menos passional com a vida. Tomar as rédeas, traçar os rumos. Sem enfeites ou fantasias. Sem que as emoções tomem dimensões maiores que a razão.
Foi-se aquele louco apaixonado, romântico, ingênuo com a vida e em relação às pessoas.
Da ultima vez, disse que estava passando por um processo doloroso, mas necessário. Mais que necessário, urgente. E, agora, cheguei na etapa mais importante: o enterro. Hoje eu abandono exatamente tudo o que fui e nasço outra vez. Forte e confiante. Só espero que reste, ainda, um pouquinho de doçura.
Hoje, decidi dar o adeus definitivo. Não só a esse espaço, mas a uma vida que vivi até agora e só me trouxe infelicidade. Hoje eu enterro, de uma vez por todas, a pessoa que fui e inauguro um novo eu. Morre o menino e nasce o homem. Decidi ser menos passional com a vida. Tomar as rédeas, traçar os rumos. Sem enfeites ou fantasias. Sem que as emoções tomem dimensões maiores que a razão.
Foi-se aquele louco apaixonado, romântico, ingênuo com a vida e em relação às pessoas.
Da ultima vez, disse que estava passando por um processo doloroso, mas necessário. Mais que necessário, urgente. E, agora, cheguei na etapa mais importante: o enterro. Hoje eu abandono exatamente tudo o que fui e nasço outra vez. Forte e confiante. Só espero que reste, ainda, um pouquinho de doçura.
sábado, 13 de julho de 2013
Um fim é sempre Um Novo Começo
(texto dedicado à todas as pessoas que, apesar de tudo, acreditam em si mesmas)
Já disse isso uma porção de vezes por aqui: eu não sei mesmo se alguém vai estar lendo o que escrevo. Nunca fui bom com números. E, na verdade, isso não me importa. Não escrevo para ninguém além de mim. Às vezes volto aqui e começo a reler coisas, reviver coisas, aprender. Lembro bem que quando decidi criar um blog, resolvi criar uma página onde pudesse desabafar, pôr pra fora tudo aquilo que me sufocava. Sem enfeites. Sem querer mascarar qualquer coisa ou posar de intelectual, ou fazer gênero. E sempre foi assim. Esse espaço, sempre foi a foz do rio da minha vida com o mar dos meus sentimentos. Meus sentimentos sempre foram (e são!) mar: forte, revolto, imprevisível. Mas, chega uma hora na vida da gente, onde a gente precisa de calma e serenidade. E eu preciso. Preciso urgentemente pôr as coisas no lugar, em ordem. Preciso encontrar aquele espaço de equilíbrio, onde eu possa fechar os olhos e sentir paz (na consciência, no coração, na alma). Não sei se todos vocês (ou quem quer que esteja lendo) já passaram por isso, mas, eu estou em processo de mudança: de mente, de vida. Estou amadurecendo, de dentro pra fora. É um processo doloroso, porém extremamente necessário, de desapego e abandono de muitas coisas que atrapalham nossa evolução enquanto seres humanos. Acredito que nós evoluímos quando decidimos melhorar. E eu estou disposto. Mais que isso, eu estou determinado. Cansei de ficar "à toa na vida, vendo a banda passar". Estou muito cansado de tudo. A vida está cansativa, morna, sem gosto. Eu preciso desse tempo de luta comigo mesmo para simplesmente sair do meu comodismo e viver. Viver de verdade: com vontade e intensidade. Tenho a imensa sensação de que a vida está passando por meus olhos sem que eu viva. E, pra isso, vou abandonar, pelo menos por um tempinho, qualquer outra vida que não seja a real.
Talvez, um dia, eu volte, mas não pra cá. Mudar faz parte da mudança. Se eu voltar, vai ser pra outra vizinhança e, talvez, quem sabe, a gente até se encontre por lá...
Deixo vocês com o mestre Cartola que sempre consegue traduzir, em poesia cantada, o que sinto:
"Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar..."
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar..."
Um abraço!
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Intimidade
Quero cochilar com você numa rede em dia de domingo com céu nublado
Beber suco de acerola tirada do pé.
Pode por açúcar, querida. Pra quê adoçante quando somos lindos vestindo 44?
Eu quero desenhar você enquanto estiver distraída
Ajeitar seu cabelo quando vento bagunçar
Limpar o cantinho da boca, quando você nem notar.
Quero te amar com gostinho de vida boa
de tempo que não passa
de música que a gente dança mesmo sem dançar.
Quero descansar em você, meu aconchego
A gente pegando fogo com cheirinho de chuva.
A vida passa e a gente fica,
o mundo acaba e a gente vive. Vive rindo, vive bem.
Quero apenas que você sempre me ame
e eu prometo sempre te amar também.
Beber suco de acerola tirada do pé.
Pode por açúcar, querida. Pra quê adoçante quando somos lindos vestindo 44?
Eu quero desenhar você enquanto estiver distraída
Ajeitar seu cabelo quando vento bagunçar
Limpar o cantinho da boca, quando você nem notar.
Quero te amar com gostinho de vida boa
de tempo que não passa
de música que a gente dança mesmo sem dançar.
Quero descansar em você, meu aconchego
A gente pegando fogo com cheirinho de chuva.
A vida passa e a gente fica,
o mundo acaba e a gente vive. Vive rindo, vive bem.
Quero apenas que você sempre me ame
e eu prometo sempre te amar também.
sábado, 18 de maio de 2013
Maturidade
Escrevi seu nome na parede do meu quarto pra me acostumar com a presença dele, sem que me provoque qualquer reação não natural.
Pra eu me acostumar com a ideia de que você é uma pessoa normal, que eu idealizei.
Pra aceitar que você simplesmente nunca esteve proporcionalmente interessada em mim como eu em você.
Porque eu decidi que não vou alimentar nenhum desgosto mais nessa vida.
Jurei pra mim mesmo que eu não vou mais brigar, me esconder, me anular.
Eu vou ser feliz independente de qualquer pessoa e situação.
Já comecei a me acostumar com o seu nome na minha parede, como quem se acostuma com um detalhe na paisagem que encara todos os dias pela janela do ônibus. E você se tornou um detalhe, que eu prefiro lembrar como bonito, de uma paisagem que já passou. Hoje, são outros céus...
O que passou... passou!
Eu estou em branca paz, feliz e liberto. Não livre do amor, mas livre da imaturidade. Sabendo que outras situações parecidas podem ocorrer outras tantas vezes, mas a maneira como eu vou encará-las, COM CERTEZA, nunca mais, será a mesma.
Isso é o que eu chamo de maturidade: aprender em amor, com o amor, sobre o amor.
Pra eu me acostumar com a ideia de que você é uma pessoa normal, que eu idealizei.
Pra aceitar que você simplesmente nunca esteve proporcionalmente interessada em mim como eu em você.
Porque eu decidi que não vou alimentar nenhum desgosto mais nessa vida.
Jurei pra mim mesmo que eu não vou mais brigar, me esconder, me anular.
Eu vou ser feliz independente de qualquer pessoa e situação.
Já comecei a me acostumar com o seu nome na minha parede, como quem se acostuma com um detalhe na paisagem que encara todos os dias pela janela do ônibus. E você se tornou um detalhe, que eu prefiro lembrar como bonito, de uma paisagem que já passou. Hoje, são outros céus...
O que passou... passou!
Eu estou em branca paz, feliz e liberto. Não livre do amor, mas livre da imaturidade. Sabendo que outras situações parecidas podem ocorrer outras tantas vezes, mas a maneira como eu vou encará-las, COM CERTEZA, nunca mais, será a mesma.
Isso é o que eu chamo de maturidade: aprender em amor, com o amor, sobre o amor.
sábado, 11 de maio de 2013
Não sei dizer
Muitas vezes, mesmo com o coração gritando, não sabemos o que falar.
Não conseguimos por em palavras tudo aquilo que estamos sentindo.
Há muito tempo venho guardando cicatrizes tão profundas que acho que elas estão indizíveis.
Eu não aguento mais sufocar as palavras dentro de mim.
Tenho uma tristeza tão forte, tão grande, tão... minha!
Estão todos rindo na cozinha e meu coração, no quarto, urrando de dor.
Às vezes choro, às vezes finjo que estou rindo também...
Não conseguimos por em palavras tudo aquilo que estamos sentindo.
Há muito tempo venho guardando cicatrizes tão profundas que acho que elas estão indizíveis.
Eu não aguento mais sufocar as palavras dentro de mim.
Tenho uma tristeza tão forte, tão grande, tão... minha!
Estão todos rindo na cozinha e meu coração, no quarto, urrando de dor.
Às vezes choro, às vezes finjo que estou rindo também...
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Sobre o mar
[imagem retirada de: andersonribeiro18.blogspot.com.br]
Numa daquelas tardinhas preguiçosas
sobre o mar
uma canoa canoava
À frente, só uma imensidão de águas
e o sol, em despedida, abraçava o céu
sobre o mar
A gente se amava
com o balançar das ondas
sobre o mar
E o doirado de fim-de-tarde
não parecia acalmar nossos corpos acesos,
nossos beijos (que beijos!)
sobre o mar
Às vezes revolto, forte, atroz
não parecia nem incomodar
os carinhos que trocávamos
sobre o mar
Caiu a noite
e nós ainda estávamos lá
sobre o mar
Não quero ir embora,
lugar melhor não há
A vida é muito mais bonita
sobre o mar
quarta-feira, 27 de março de 2013
como se eu soubesse
como se eu soubesse alguma coisa nessa vida,
me arrisco escrever sobre sentimento
metido que sou, exponho o meu ridículo
achando que, talvez, a tragédia esconda alguma beleza
atrevido, atiro verdades
comedido, mostro a cara no que escrevo
não tenho necessidade de reconhecimento
tenho necessidade de sentimento compartilhado
de delicadezas genuínas,
de gente!
de inocências que talvez só existam em livros
de músicas que já não se cantam mais
de abraços que nunca dei
de gente que não conheci e já morreu
daquela história que me contavam e já não contam
porque perdeu a graça e o sentido: eu já cresci!
mas, às vezes, sou aquela mesma criança ansiosa
que não consegue dormir sem historinha
o leão que ruge durante o dia e gatinho que ronrona durante a noite
desequilibrado, carente, feroz
tão prepotente que até se dá licença poética!
me arrisco escrever sobre sentimento
metido que sou, exponho o meu ridículo
achando que, talvez, a tragédia esconda alguma beleza
atrevido, atiro verdades
comedido, mostro a cara no que escrevo
não tenho necessidade de reconhecimento
tenho necessidade de sentimento compartilhado
de delicadezas genuínas,
de gente!
de inocências que talvez só existam em livros
de músicas que já não se cantam mais
de abraços que nunca dei
de gente que não conheci e já morreu
daquela história que me contavam e já não contam
porque perdeu a graça e o sentido: eu já cresci!
mas, às vezes, sou aquela mesma criança ansiosa
que não consegue dormir sem historinha
o leão que ruge durante o dia e gatinho que ronrona durante a noite
desequilibrado, carente, feroz
tão prepotente que até se dá licença poética!
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Mais uma xícara, por favor
Senta aqui e ouve o que eu tenho pra falar.
É importante.
Pra você, pros outros, pode ser um monte de ladainha, "conversa pra boi dormir".
Mas, pra mim, é importante.
Tem alguns anos que venho tentando dizer todas essas coisas que estão aqui dentro. Elas estavam quietinhas, dormindo, abandonadas num canto qualquer dentro de mim.
Agora, elas estão cada vez mais urgentes, mais desesperadas.
Pega uma xícara, bebe um café. Fica à vontade. Sinta-se em casa.
Não precisa fazer cerimônia, falar certinho. Se quiser, tire os sapatos, descanse os pés.
É que eu estou farto dessa formalidade toda. Desses eufemismos que a gente põe pra enfeitar nossos deslizes. Os meus erros estão todos aí, espalhados pelo chão. Como fagulhas acesas de um passado não tão distante. Ameaçando um incêndio a qualquer momento.
Não sei quando é que tudo começou. Eu poderia romantizar, dizer que foi numa linda tarde de primavera em novembro de 2003. Mas seria uma mentira! E eu não gosto de emocionalismo barato.
Só sei que era jovem demais pra entender tudo o que estava acontecendo. Pra entender o que eu, até hoje, não entendo.
Quando é que nós começamos a amar?
Sabe, pra mim, o amor sempre foi uma "coisa" muito difícil. Já estou acostumado a ver as pessoas namorando, terminando e voltando e eu, bem... e eu sendo coadjuvante da estória de amor dos outros! Até já estava acostumado com esse papel. Mas é que, de repente, cansei de fazer sempre a mesma cena, o mesmo texto, o mesmo drama.
Você me conhece bem e sabe que eu não estou exagerando.
Eu estou tão cansado desse drama todo. De toda irrelevância, toda invisibilidade que parece me rondar quando falamos de amor.
Senta e me escuta um pouco. Não precisa dizer nada. Só ouve.
Bebe um café comigo que hoje eu já cansei de falar sozinho.
É importante.
Pra você, pros outros, pode ser um monte de ladainha, "conversa pra boi dormir".
Mas, pra mim, é importante.
Tem alguns anos que venho tentando dizer todas essas coisas que estão aqui dentro. Elas estavam quietinhas, dormindo, abandonadas num canto qualquer dentro de mim.
Agora, elas estão cada vez mais urgentes, mais desesperadas.
Pega uma xícara, bebe um café. Fica à vontade. Sinta-se em casa.
Não precisa fazer cerimônia, falar certinho. Se quiser, tire os sapatos, descanse os pés.
É que eu estou farto dessa formalidade toda. Desses eufemismos que a gente põe pra enfeitar nossos deslizes. Os meus erros estão todos aí, espalhados pelo chão. Como fagulhas acesas de um passado não tão distante. Ameaçando um incêndio a qualquer momento.
Não sei quando é que tudo começou. Eu poderia romantizar, dizer que foi numa linda tarde de primavera em novembro de 2003. Mas seria uma mentira! E eu não gosto de emocionalismo barato.
Só sei que era jovem demais pra entender tudo o que estava acontecendo. Pra entender o que eu, até hoje, não entendo.
Quando é que nós começamos a amar?
Sabe, pra mim, o amor sempre foi uma "coisa" muito difícil. Já estou acostumado a ver as pessoas namorando, terminando e voltando e eu, bem... e eu sendo coadjuvante da estória de amor dos outros! Até já estava acostumado com esse papel. Mas é que, de repente, cansei de fazer sempre a mesma cena, o mesmo texto, o mesmo drama.
Você me conhece bem e sabe que eu não estou exagerando.
Eu estou tão cansado desse drama todo. De toda irrelevância, toda invisibilidade que parece me rondar quando falamos de amor.
Senta e me escuta um pouco. Não precisa dizer nada. Só ouve.
Bebe um café comigo que hoje eu já cansei de falar sozinho.
domingo, 4 de novembro de 2012
Conta gotas
De
repente,
enquanto
escrevia
essa
carta,
caiu
uma
lágrima
na
folha
de
papel.
Uma única lágrima que não aguentava mais se segurar. E foi. Escorregou por todo meu rosto e caiu sobre o papel. Muitas vezes, a alma da gente não sabe os porquês nem os "porquens", mas chora. Talvez de alegria, saudade ou solidão... Quem sabe? Eu não! Eu não sei muito da vida. Eu sinto, sinto muito, muito mais que deveria! Mais do que aguento, mais do que aguentam.
Quando? Não sei. O sentimento não tem hora marcada. Mas ele vêm dilaceradoramente quando quer. E eu não preciso contar as lágrimas pra medi-lo. Às vezes eu choro baixinho. Às vezes, por dentro. Sem externar nada, sem lágrimas, sem nariz vermelho. É choro do mesmo jeito. Ou mais dolorido. Ou menos, não sei. Eu não sei muito da vida. Eu sinto, sinto muito. De gota em gota, poderia formar um oceano. O meu oceano. Quem sabe seria bom... quem sabe? Ninguém sabe nada dessa vida! Com todos os diplomas, com toda sabedoria... Que sabedoria? Quem é que disse que isso tudo é verdade? E se for vã filosofia? E se estivermos vivendo a mesma mentira que viveram anteriormente, iludidos, crendo que vencemos aquilo que é invencível? Elis cantou que "ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais", Cazuza que via o futuro repetindo o passado... "Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia". Shakespeare já cantava essa pedra que agora atiro! Nós nos apegamos tanto às nossas verdades absolutas que esquecemos de checar se são mesmo verdades. O que pode ser mudado? O que já foi? O que não é mais? O que é mais importante? QUEM é mais importante? Até onde vai a comodidade, o medo, a frustração?
Por que você chora à noite, escondido, com o rosto no travesseiro? Chora sem saber direito. E tem vontade de gritar. Nunca grita. Porque se gritar, vão escutar e vão querer saber "por quê". E eu não sei direito. Está tudo muito misturado, muito junto, muito dependente. E eu vou vivendo assim, contando os dias, esperando a vida, esperando alguém, esperando ser alguém, esperando ter coragem de viver... de gota em gota!
repente,
enquanto
escrevia
essa
carta,
caiu
uma
lágrima
na
folha
de
papel.
Uma única lágrima que não aguentava mais se segurar. E foi. Escorregou por todo meu rosto e caiu sobre o papel. Muitas vezes, a alma da gente não sabe os porquês nem os "porquens", mas chora. Talvez de alegria, saudade ou solidão... Quem sabe? Eu não! Eu não sei muito da vida. Eu sinto, sinto muito, muito mais que deveria! Mais do que aguento, mais do que aguentam.
Quando? Não sei. O sentimento não tem hora marcada. Mas ele vêm dilaceradoramente quando quer. E eu não preciso contar as lágrimas pra medi-lo. Às vezes eu choro baixinho. Às vezes, por dentro. Sem externar nada, sem lágrimas, sem nariz vermelho. É choro do mesmo jeito. Ou mais dolorido. Ou menos, não sei. Eu não sei muito da vida. Eu sinto, sinto muito. De gota em gota, poderia formar um oceano. O meu oceano. Quem sabe seria bom... quem sabe? Ninguém sabe nada dessa vida! Com todos os diplomas, com toda sabedoria... Que sabedoria? Quem é que disse que isso tudo é verdade? E se for vã filosofia? E se estivermos vivendo a mesma mentira que viveram anteriormente, iludidos, crendo que vencemos aquilo que é invencível? Elis cantou que "ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais", Cazuza que via o futuro repetindo o passado... "Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia". Shakespeare já cantava essa pedra que agora atiro! Nós nos apegamos tanto às nossas verdades absolutas que esquecemos de checar se são mesmo verdades. O que pode ser mudado? O que já foi? O que não é mais? O que é mais importante? QUEM é mais importante? Até onde vai a comodidade, o medo, a frustração?
Por que você chora à noite, escondido, com o rosto no travesseiro? Chora sem saber direito. E tem vontade de gritar. Nunca grita. Porque se gritar, vão escutar e vão querer saber "por quê". E eu não sei direito. Está tudo muito misturado, muito junto, muito dependente. E eu vou vivendo assim, contando os dias, esperando a vida, esperando alguém, esperando ser alguém, esperando ter coragem de viver... de gota em gota!
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